March 14, 2010

Sobre a duração dos noivados

Por: José Luis Olaizola

Volta a estar na moda as pessoas casarem-se, mas da maneira adequada a uma sociedade de consumo, o que tem como consequência que muitos se casem tarde e mal.

Não é raro ouvirem-se comentários como este: "Quem diria! Fulano e fulana, depois de catorze anos de noivado, casam-se e no ano seguinte separam-se. Não será por não terem tido tempo para se conhecerem."
Certamente tiveram tempo para se conhecerem. E até para se aborrecerem de tanto se conhecerem...
Cada caso é um caso no que diz respeito à duração do noivado, mas o mais frequente, hoje em dia, é que os noivos precisem de tantas coisas para se casarem, que quando as conseguem já não ter forças para o principal: amarem-se, criarem uma família, educarem os filhos e educarem-se a eles próprios na interessante aventura de preservar o amor.
Para se apaixonar por uma encantadora jovem de dezoito anos, ou vice-versa, qualquer um serve. Para se manter apaixonado quarenta anos depois, faz falta, além disso, uma certa dose de inteligência.
Dado o meu gosto por escrever novelas que me obrigam a interessar-me pelo passado, pude constatar que, com o decorrer dos séculos, se tem vindo a atrasar a idade para se contrair matrimónio. No tempo de Cid Campeador -sec.XI - os cavaleiros casavam-se muito jovens; e as donzelas aos doze ou treze anos, assim que chegavam à puberdade.
Não tinham problemas de casa. As pessoas construíam uma casa em pouco mais de
um mês com ajuda dos vizinhos; nessa altura para viver só precisavam de quatro paredes e um tecto. O chão era de terra batida e não tinham canalização, nem electricidade, nem os diversos artigos de luxo que existem nas modernas habitações da actual sociedade de consumo.
Quatro séculos depois, no XVI, as coisa não tinham mudado muito e, quando muito, a idade de casar atrasa-se um par de anos. A mãe de Teresa de Jesus, a encantadora dona Beatriz de Ahumada, casou com treze anos e conseguiu ter dez filhos. Catarina de Aragão, aquela que com o tempo veio a ser esposa legítima do temível Henrique VIII de Inglaterra, tinha casado anteriormente com o irmão mais velho, o príncipe Artur, tendo ambos à volta de quinze anos, e causou grande espanto que não tivessem conseguido consumar o matrimónio, coisa que foi atribuída a doença do príncipe, que morreu um ano depois.
No século XIX as coisas mantiveram-se dentro de termos razoáveis, e as donzelas casam com dezassete, dezoito, ou com o máximo dezanove anos. O desastre surgiu em meados do século XX, século no qual, não tendo decorrido muito tempo, os casamentos se atrasam de tal forma - uma média de dez anos - que as donzelas têm muito poucas possibilidades de o continuarem a ser quando chega a altura de casarem. Sejamos claros.
Porque se arrastam tanto os noivados e se atrasam os casamentos?
Porque hoje em dia os contraentes entendem que o amor, para que não murche, deve estar devidamente enquadrado: casa, carro/s, televisão, vídeo, aparelhagem musical, viagem de núpcias transatlântica, etc..
Consequência: necessidades milionárias para a celebração e para a sua posterior manutenção.
- E você com que idade se casou?
- Pois eu, amável leitora, casei com vinte três anos, e a minha prometida tinha dois anos a menos. Fizemos a nossa viagem de núpcias a El Escorial e depois acomodámo-nos num andar velho, de renda antiga; nisso tivemos sorte, mas como não dispúnhamos de elevador, nem aquecimento, nem frigorífico, nem nada de nada, há que reconhecer que não vivíamos bem. Compreendo que as coisas tenham mudado, mas aquela carência tinha o seu encanto. Uma pessoa ia acedendo ao prazer das coisas pouco a pouco. O primeiro carro, a primeira viagem ao estrangeiro, a primeira vez que se saía para jantar fora a um restaurante, os primeiros verões na praia. E, evidentemente, a primeira vez que dormia com a sua noiva, que já era sua mulher.
- Mas o que me está a dizer?
Por favor, não se ofenda. Nessa altura os noivados eram mais curtos e mais controlados. Não digo que saíssemos controlados com espingarda, mas também não nos davam tantas facilidades. Agora esses noivados tão compridos, com 
saídas nocturnas até altas horas da madrugada, com viagens colectivas em que nem por isso os pares deixam de estar individualizados... Enfim, o que lhe vou contar que você já não saiba?
- Parece-me um pouco pessimista.
Eu não queria. Mas insisto em que convém chegar ao casamento com uma boa bagagem de ilusões e não as ir gastando durante o noivado. E, claro, com um certo espirito de sacrifício. Aos noivos que se acostumam a um noivado longo, ambos com carro à porta, jantares em restaurantes de moda, esqui de Natal nos Alpes e férias no Caribe, cada vez lhes custa mais dar o passo em frente.
- Não estará e exagerar um pouco?
- Assim o espero.

March 07, 2010

willing to make you happy in every way
willing not to fail all the time
willing to be able to do things right

willing to disappear and leave things tidy as if i hadn't caused any harm
willing not to envy people
willing to be good in any way
and to you.

December 05, 2009

i was thinking...
i hate this world... not earth, nature, but how stupid human beings are able to make it a worse place ("make it a better place"...)...

(acho que não precisa nem falar das diversas exceções humanas que ainda salvam este lugar e o fazem aguentável...)

it's depressing.

October 19, 2009

Happy birthdaayy!!

September 21, 2009

remember, remember...

May 2007... when i used to write about mi inner self... and my dear only reader would understand me... when i spoke silence
June 2007... when a tale was posted... and when we used to talk not directly (well, sometimes you did, dear only reader..)
and all those months, and before that... 2005... when i was just kidding and kidding-ly being mean to you... who would say or imagine..?
October 4, 9 2007
August 17 2009
September 15 for us, 20 to the public/audience 2009

and now hope things will work out in the end
a little poem II

indeed it was nice
offe ring
all the way

that night...

on sep 15

August 19, 2009

17/08/2009, around 14:27

uma pergunta sem contexto...

"O que você acha de 9 de outubro do ano que vem?"

e uma resposta sem demora...

"Feito."

June 02, 2009

a little poem

wouldn't it be nice
offering
all the way

May 04, 2009

loneliness....

acho que pela primeira vez eu quero amigos...

January 24, 2009

your big chance to leave me...
=//
tudo estragado...

=/
=(
='(

October 10, 2008

a reply...

Happy new year too, dear only reader..


i cannot deny it,
i just love thee.

July 15, 2008

É correto ser politicamente correto?

Embora a linguagem politicamente correta seja invenção norte-americana, expressões eufêmicas já existem no português há bastante tempo

Aldo Bizzocchi

A língua não serve só para comunicar. É também poderoso instrumento de persuasão e manipulação. Afinal, dominar pessoas por meio de discursos é mais eficiente do que manter um soldado em cada esquina. E, muitas vezes, a manipulação ideológica se oculta sob um manto de boas intenções. É o caso da chamada linguagem politicamente correta (PC, para simplificar).

Tempos atrás, o governo Lula lançou o documento Politicamente Correto & Direitos Humanos, mais conhecido como "cartilha do politicamente correto", com 96 palavras ou expressões pejorativas, como "beata", "comunista", "funcionário público", "preto" e "anão". Essa iniciativa foi, à época, duramente criticada na imprensa.

Antes disso, já havia sido apresentado um projeto de lei determinando que todo texto oficial distinguisse "cidadãos" e "cidadãs". (Lembra o "brasileiras e bra­si­lei­ros" de Sarney, não?) Esse projeto foi questionado por representantes da sociedade civil, incluindo lingüistas e gra­má­­ticos, já que em português o gênero mas­culino também cumpre o papel do chamado gê­nero complexo, que serve pa­ra nomear seres de ambos os sexos. Ou seja, a palavra "cidadãos" já subentende as cidadãs.

Mas por que iniciativas desse tipo, aparentemente nobres e justas, terminam torpedeadas até por intelectuais?
Primeiro, é impossível legislar sobre a língua, ao menos em regimes democráticos (nos ditatoriais, é possível até proibir línguas, como fez Franco, na Espanha, com o catalão e o basco). Segundo, esse tipo de interferência do Estado na fala das pessoas é fascista.

Segundo o filósofo francês Vladimir Volkoff, autor de La Désinformation par l'Image, o PC é resultado da mistura dos restos de um cristianismo degradado, um socialismo reivindicativo, um economicismo marxista e um freudismo em permanente rebelião contra a moral do ego. É a observação da sociedade e da história em termos maniqueístas, decorrente da decadência do espírito crítico, e de uso comum entre intelectuais desarraigados. Diz ele: "Se compararmos a demolição do comunismo com uma explosão atômica, diremos que o politicamente correto constitui a nuvem radioativa que acompanha a hecatombe".

Pesos e medidas
Em A Era dos Direitos, o sociólogo italiano Norberto Bobbio afirma que nunca se falou tanto em direitos (humanos, civis, dos animais etc.) quanto hoje. O conceito de direitos humanos e civis remonta aos filósofos iluministas e à Revolução Francesa, mas foi retomado com força após a Segunda Guerra e o Holocausto, em 1948, ano em que a ONU lançou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Um dos corolários da ideologia do respeito aos direitos humanos foi a decisão de instituir uma linguagem eticamente adequada.

Os Estados Unidos tomaram a dianteira na defesa dos direitos humanos na década de 60, com o movimento pelos direitos civis, que questionava leis racistas. Mas foi no governo Jimmy Carter, na década seguinte, que a preocupação se intensificou. É mais ou menos nesse período que surge na língua inglesa o vocabulário PC (e começam também a pipocar ações judiciais absurdas com base nessa ideologia).

O fim da ditadura militar no Brasil levou a um extremismo oposto (se antes tudo era proibido, agora é proibido proibir). A Constituição de 1988 é reflexo disso. Numa época de radicalismo às avessas, vale lembrar a máxima latina: virtus in medio (a virtude está no meio; ou: nem tanto ao mar nem tanto à terra).

Afinal, nossa língua já oferece palavras perfeitas para expressar noções como "cego", "surdo", "aleijado"... Os próprios clássicos fazem um nada pejorativo uso desses vocábulos. Ou será que Machado de Assis e Eça de Queirós viraram politicamente incorretos? Por que mascarar a realidade com expressões mais longas e menos precisas? Se um deficiente (ou "especial") é alguém cujas aptidões e características físicas estão abaixo do normal, então, do ponto de vista semântico, um míope não deixa de ser deficiente visual; um calvo (ou melhor, careca) também é deficiente físico, e assim por diante.

Da mesma forma, por que se referir a negros como "afro-descendentes" e não a bran­cos como "euro-descendentes"? Esse eufe­mismo criado pelos americanos e in­tro­duzido no português é, além de tudo, equivocado, como todos os termos PC: um brasileiro branco descendente de egípcios brancos é afro-descendente, não é? Aliás, se a África é o berço da humanidade, então ge­neticamente somos todos afro-descendentes.

Sem necessidade
A verdadeira democracia se apóia em direitos iguais a todos. Mas há distância entre democracia e demagogia. (Aristóteles apontava a segunda como a degeneração da primeira.) O que temos em muitos países são discursos e políticas demagógicas em relação às minorias (que às vezes são numericamente maiorias), criando leis cosméticas e mudando só os nomes das coisas, em vez de combater a desigualdade, com educação, serviços públicos de qualidade e redistribuição de renda.

Exemplo de lei demagógica: no Bra­sil, chamar um negro de "negro" (embora seja essa a sua cor) é crime inafiançável (racismo), mas matar um negro - ou qualquer pessoa - é afiançável (homicídio). Ou seja, o que a lei diz nas entrelinhas é: se você não gosta de negros, mate-os, mas não os chame de negros.

Embora a linguagem PC seja invenção americana que a mídia brasileira veicula acriticamente, os EUA não detêm monopólio da hipocrisia: expressões eufêmicas já existem no português há bastante tempo. Chamar o negro de "moreno" ou "de cor", embora pareça atitude de respeito, esconde um racismo: se evitamos usar "negro", é porque consideramos ser negro um defeito. Apesar da aparente boa intenção, a linguagem PC só contribui para acentuar o preconceito.

É claro que há linguagem adequada a cada situação. Nenhum jornal vai referir-se ao desfile do orgulho gay como "passeata de bichas na Paulista" (embora um jornal tenha noticiado "mulherada se reúne em Campinas" sobre encontro de feministas).

Trata-se de usar a linguagem com respeito, não com falsa piedade. Nesse sentido, o conceito de "politicamente correto" deveria ser substituído pelo de "lingüisticamente adequado".

Linguagem e manipulação
É possível e relativamente fácil manipular a opinião pública por meio de palavras e expressões como "exclusão", "tolerância", "não-violên­cia", que representam conceitos ma­leáveis ideologicamente. Afinal, em relação a quem tem telefone e computador, quem não tem é excluído. Mas, em relação a quem tem casa com pisci­na e jatinho, quem não tem não é igual­mente excluído? Enfim, qual o critério para definir o essencial ou o supérfluo?

Em sociedades multiculturais e multiétnicas como a nossa, prega-se a tolerância. Mas tolerar é diferente de amar: tolerar é não agredir quem, no fundo, odiamos. Do mesmo modo, não-violência é diferente de paz ou fraternidade: a palavra "não-violência" remete a violência e é, portanto, só violência reprimida.

O que a linguagem PC faz é acobertamento ideológico pelo discurso, camuflando o problema em lugar de resolvê-lo (ao darmos nomes bonitos a coisas feias, elas nos parecerão menos feias). Assim, "recessão" passa a "crescimento econômico negativo", "morte" vira "cessação das atividades vitais" e "morrer" é "ir a óbito". "Favela" se torna "comunidade carente" e "pobreza", "exclusão social". Quem tem cabelo pixaim ou carapinha pode ir a um salão especializado em "cabelo étnico". Na linguagem corporativa, chefe virou "líder" e empregado agora é "colaborador".

Invenção postiça
O povo, mesmo, satiriza tais expressões porque percebe o ridículo delas (vide o "tucanês" de José Simão) e aí passa a denominar anão de "pessoa verticalmente prejudicada" e careca de "deficiente capilar". O próprio povo não usa denominações bizarras: o morador de favelas se diz "favelado"; o pobre se refere à sua condição como "pobreza", não "exclusão" ou "carência". Enquanto ONGs fazem o policiamento lingüístico da imprensa à caça do politicamente incorreto, os próprios negros de classe baixa se tratam uns aos outros e a si de "negro", "preto" ou "negão", sem conotação pejorativa, mas antes carinhosa.

A linguagem PC é pseudodemocrática: em nome da preservação da dignidade e dos direitos humanos, exerce patrulhamento ideológico e caça às bruxas típicos dos regimes autoritários, vendo preconceito em tudo (por exemplo, ao achar que a expressão "a coisa tá preta" é referência pejorativa à raça negra).

Palavras como "democracia", "cidadania", "inclusão social", "direitos humanos" e outras, de tão repetidas, tornam-se desgastadas e vazias de sentido ou, pior, passam a significar o contrário do que diziam originalmente. Não por acaso, é nas ditaduras que palavras como "democracia" e "cidadania" são mais usadas, sempre com sentido distorcido. É por isso que Hugo Chávez fala tanto em democracia em seus discursos. Portanto, o fato de tais palavras estarem tão em voga no Brasil atual deve ser para nós um sinal de alerta.


Aldo Bizzocchi é doutor em Lingüística pela USP e autor de Léxico e Ideologia na Europa Ocidental (Annablume). www.aldobizzocchi.com.br

June 14, 2008

Living is sometimes a burden...

June 11, 2008

June 06, 2008

Hearts so Heavy
John Mayer [Trio]

I want to want you tonight because i need to
Everything that I had I'm waiting on
Gived and I gave all I could Kept a little
Finding it hard to believe everything's gone gone gone

How m I gonna run back home
With a heart so heavy
How m I gonna make my way
When I can't find the road
How m I gonna beat this pain
When I can't see how deep it goes
Heaven knows .. but I don't

Faith is a bankless desire
But i still choose it
I follow it all the time
And carry on
I used to live by the line
What good is a circle
What does it do for me now
Everything's gone gone gone

So How m i gonna run back home
With a heart so heavy
How m i gonna make my way
When i can't find the road
How m i gonna beat this pain
When i can't see how deep it goes
Heaven knows but i don't

I still believe in love
I still believe in love
I do I do
I still believe in love
I still believe in love

June 04, 2008

(acho que segunda e quarta, so far, são os dias de desequilíbrio mental... ainda bem que só vou pra uma aula hoje)

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ahh... memories... of all kinds
from the past, from the future...
everything is against me [right, not EVERYTHING, but you know what i mean..]
they [memories and dreams and nightmares] just want to see me mad. infelizes

...

May 27, 2008

think i'm going to clausura...
so i won't see this disgusting¹ world anymore.


¹dis.gust.ing
adj desgostoso, nojoso, fastidioso, que causa fastio, aversão, odioso, repulsivo, lamentável.

May 23, 2008

one day you choose a player and on another you are forced into a 'game over'... with no extra lives

May 21, 2008